sábado, 16 de junho de 2018


            Educação de Jovens e Adultos no Brasil 





A partir da leitura do texto de HARA, Regina, Alfabetização de adultos: ainda um desafio e, da apreciação dos audiovisuais que foram sugeridos como proposta de trabalho dentro da interdisciplina, entendo que, existam semelhanças e diferenças entre crianças e adultos não alfabetizados, sendo que uma das semelhanças esteja voltada ao fato de que a evolução das hipóteses de escrita das crianças, como: o pré silábico, silábico, silábico alfabético e alfabético, aparece também nos adultos, por outro lado nos adultos não aparecem as formas primitivas como não diferenciar números de letras ou, fazer bolinhas, por exemplo. Para Marta Kohl, professora da Faculdade de Educação- USP, não tem alguém que chega a sala de aula e não sabe nada do mundo da escrita, todos são capazes de reconhecer graficamente, seja pela exposição do mundo dos comerciais, esses estudantes estão “encharcados do mundo da escrita”.
Na apreciação dos audiovisuais é possível perceber claramente a tristeza, a baixa autoestima dos adultos que não sabiam ler e escrever antes de começar os estudos. Estes revelam sentimentos como cegueira, preocupação com as questões políticas e atualidade, se assumem enquanto analfabetos, deixando claro o quanto isso é ruim. Para Paulo Freire, lemos o mundo à medida que a gente compreende e o interpreta. Milênios depois de ler o mundo é que os homens inventaram a linguagem e muito depois a escrita. Para com os alunos, devemos perceber que eles trazem a leitura de mundo, aproximam-se criticamente da realidade e contexto em que estão inseridos. Os alunos trazem essa leitura e na escola ampliam a compreensão desta realidade.
Outro ponto importante a mencionar seja a Avaliação Dialógica, como o processo contínuo e permanente em que o aluno pode se observar e verificar sua aprendizagem durante o momento de vivência e convivência na escola.
Através da oralidade eles percebem a escrita. Não se pode reforçar o erro, mas também não reprimir este erro. Outro fator que deve ser ponderado é o fato de que não é qualquer tema que gera qualquer coisa, o tema gerador deve permitir possibilitar a partir dele que o educando compreenda mais criticamente a realidade e o contexto em que está inserido. Aprendemos a vida toda, não a tempo próprio para aprender.
Para com o texto de HARA, os desafios e dificuldades em lidar com a motivação, quando se trata do trabalho com os adultos, o produto final têm sido abaixo das expectativas, visto que a evasão é enorme e poucos aprendem.
Fatores de ordem social, como: a sociedade que é excludente, que marginaliza a grande maioria pobre. A escolarização é destituída de qualidade necessária. Para os adultos das camadas populares a escolarização tem peso menor, questões como moradia, emprego, alimentação, transporte, são prioridade. Outro ponto relevante é a questão do desgaste físico, após um dia exaustivo de trabalho. Para com o professor as dificuldades estão no próprio ato de alfabetizar, os desafios dentro da sala de aula. Muitos ou a maioria, não tem o preparo necessário para escolarizar e trabalhar com adultos, bem como a falta de materiais e condições de trabalho.
Professores habilitados e escolas devidamente preparadas para o ensino da EJA ainda é uma realidade pouco encontrada. Outro ponto, além de tornar mecânico o processo de alfabetização dos estudantes, como caminho linear, é acabar por não considerar as experiências acumuladas e adquiridas dos mesmos. Para Freire, a prática educativa envolve postura teórica do professor, pois implica explicitamente numa concepção dos seres humanos e do mundo. Freire nos diz ainda que o homem quanto sujeito na compreensão do mundo também o é quanto construção do seu conhecimento sobre escrita, assim como a alfabetização é vista como um ato de conhecimento, o ato de aprender a ler e escrever já não é simplesmente memorizar sílabas, mas sim, refletir criticamente sobre o próprio processo de ler e escrever, o profundo significado da linguagem.
Emília Ferreiro e Ana Teberosky nos dizem que o homem como sujeito é construtor de seu conhecimento. É possível propor uma alfabetização em que as crianças sejam os sujeitos do processo e a escrita o objeto, pois a aquisição da escrita é conceitual para crianças e adultos, constituindo-se pelo sujeito nas relações com o meio. Para os adultos não escolarizados, a escrita é vista como um sistema de representação, tem hipóteses de como se dá, entendem que há uma quantidade mínima de letras e que somente letras servem para ler (excluem números e desenhos). Os adultos entendem que a escrita é um sistema de representação baseado em representação sonora, isto é, escrita representa falado, com isso, entendo que não é o método que escolhemos que irá promover a alfabetização, e sim o conjunto de conhecimentos e a postura frente aos saberes já adquiridos dos alunos com relação ao objeto de aprendizagem. O homem constrói seus conhecimentos nos diferentes momentos da vida e situações que vivencia, a escrita é um desses conhecimentos.
Os adultos estudantes nos mostram que todos sabem algo, não só o concreto, mas pelo conhecimento intelectual a respeito da escrita. Com isso os educadores podem rever e reorganizar novos dados de conhecimento, incorporando novas situações, auxiliando e revendo a prática de alfabetização de adultos, pois a possibilidade de escrever, aprender está muito ligada ao valor que a proposta tem para cada sujeito estudante que busca o ensino da EJA. Sabemos que cada um aprende no seu ritmo, a partir de atividades coletivas se desencadeiam ações individuais.
Oferecer aos alunos atividades que os encorajem e incentivem a trabalhar dentro de suas possibilidades, encorajar as habilidades na qual tem papel determinante na construção da autonomia. Utilizar técnicas diferenciadas dentro dos conteúdos propostos, assim como a avaliação que dentro do processo deve ser vista como um todo, os dados coletados pelo professor na observação auxiliam na avaliação.
Nunca devemos esquecer em considerar o saber intelectual dos adultos, os conhecimentos que a escola não pode desconsiderar. Valorizar os saberes na prática pedagógica, entendendo que os adultos operam cognitivamente e não são meios de depósitos para informações, assim como para com as crianças há etapas de desenvolvimento para os adultos analfabetos também e, para que estas aconteçam, a progressão das etapas dependerá de construções efetivas a partir de desafios, informações e relação com o meio, percebendo a construção social do código escrito, apropriando-se dele, para assim perceber as relações no mundo. 

 Referências:

HARA, Regina.Alfabetização de adultos: ainda um desafio. 3. ed. São Paulo: CEDI, 1992.
 
Vídeos sugeridos:
 
 https://www.youtube.com/watch?v=zMHa3lWcfnk&feature=youtu.be
 https://www.youtube.com/watch?v=FFNxaPxsV0U&feature=youtu.be
 https://www.youtube.com/watch?v=TJj-53u3Wdk&feature=youtu.be
 https://www.youtube.com/watch?v=UBGtdfYz7ks&feature=youtu.be
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