terça-feira, 1 de maio de 2018




Aquisição da Linguagem 
Síntese em grupo
Alunas: Anna Gomes, Luciane Lopa e Veridiana Biscarra 

Concepção teórica com base em estudos de Jean Piaget e Lev Vigotsky.

 Relações e diferenças entre as duas teorias quanto ao processo de construção de conhecimento e aquisição da linguagem. 

     De início, podemos dizer que Piaget revolucionou o estudo da linguagem e do pensamento infantil quando desenvolveu o método clínico de investigação a partir das ideias das crianças, sendo o primeiro a estudar percepção e lógica, centrando sua atenção no pensamento e não nas deficiências, dando ênfase ao que elas têm, e não o que lhes falta, bem como mostrar o percurso da investigação de Piaget sobre as origens e as relações existentes entre a linguagem e o pensamento, em outras palavras, a aquisição da linguagem e a interação social (troca e cooperação entre indivíduos) estariam explicando, nessa época, a evolução do pensamento e da linguagem. Nesse ponto, Vygotsky destaca a coincidência de sua hipótese com a hipótese explicativa de Piaget daquela época, pois para ele o desenvolvimento da lógica na criança é uma função direta de sua fala socializada. Basicamente, o desenvolvimento da fala interior depende de fatores externos: o desenvolvimento da lógica na criança, como os estudos de Piaget demonstram, é uma função direta de sua fala socializada. O crescimento intelectual da criança depende de seu domínio dos meios sociais do pensamento, isto é, da linguagem (Vygotsky, 1991 p.44).
     A partir da pesquisa, percebeu que a diferença entre o pensamento das crianças e dos adultos se dá a partir da qualidade e não da quantidade. Seu método, para nós, educadores, é visto como ferramenta importantíssima para o estudo do pensamento infantil, pois a partir de investigações, é possível entender o pensamento das crianças. 
     Para Piaget, a criança não é um adulto em miniatura, assim como seu cérebro não é um cérebro de um adulto em ponto reduzido. Piaget, através de suas experimentações, nos traz, a partir daí, a ideia de evolução.
     O objetivo principal era resolver problemas epistemológicos, explicando como o sujeito conhece e fornece explicações cada vez mais objetivas e mais abrangentes sobre o mundo. A passagem do egocentrismo infantil para a objetividade e para o pensamento lógico (estes encontram-se relacionados à linguagem socializada, linguagem cujos termos e conceitos são compartilhados por todos os membros do grupo, possuindo estrutura lógica).
     Piaget descreve o egocentrismo como posição intermediária, genética, estrutural e funcional entre o pensamento orientado e o pensamento das crianças com autismo, reportando outras características, como: realismo intelectual, sincretismo e até mesmo a dificuldade de compreender as relações. A esta ideia principal, nos diz que o pensamento orientado é social à medida que se desenvolve vai sendo progressivamente influenciado pelas leis da experiência e da lógica, já o pensamento autístico, ao contrário, é individualista e obedece a um conjunto de leis especiais que lhe são próprias.
     Ao investigar, submetendo experiências a partir da análise do uso que as crianças dão à linguagem e, suas observações, Piaget conclui que todas as conversações das crianças podem se classificar em um de dois grupos: o egocêntrico e a socialização. A diferença se dará nas suas funções. No discurso egocêntrico a criança fala apenas dela própria, não tenta se comunicar, não espera resposta e na maioria das vezes não se preocupa se alguém a escuta. Com o discurso egocêntrico a criança age como quem pensa em voz alta, realiza ou produz comentários simultâneos com aquilo que está fazendo. Para com o discurso socializado, não procura estabelecer um diálogo com os outros: manda, ameaça, transmite as informações, faz perguntas.
     Para Piaget, o desenvolvimento do pensamento se dá gradualmente, através da socialização dos estados mentais, pessoais, autísticos. Para com o discurso social, este é apresentado como um discurso que sucede e não que precede o egocêntrico, assim, o egocentrismo ou o socialismo na fala das crianças não depende apenas de sua idade, mas também do ambiente, em termos de condições. Piaget, ao analisar a brincadeira de crianças em uma turma de jardim, nos diz que: enquanto as atividades forem desenvolvidas em grupos maiores, menores serão as práticas do egocentrismo, já em casa, por exemplo, o discurso e suas interações, desde muito cedo serão, predominantemente sociais. Porém, o estudioso nos diz que, para que se estabeleça diferença entre social e individual, no pensamento, se faz necessário à comparação de comportamento das crianças com o ambiente, crianças oriundas de ambientes sociais diferentes, as que trabalham, por exemplo, nos remeterá a resultados que nos permitirão formular leis com esferas de aplicação muito mais amplas.
   Segundo Vygotsky, a linguagem é uma ferramenta de contato. Possibilita a troca de ideias com as outras pessoas. Ele descobriu que para melhorar o nível da aprendizagem, mais do que agir sobre o meio, o indivíduo precisa interagir. Para ele, todo o sujeito adquire seus conhecimentos a partir de relações interpessoais, de troca com o meio. Vygotsky afirma que aquilo que parece individual na pessoa é na verdade resultado da construção da sua relação com o outro.
     As características e atitudes individuais são compostas das trocas com o coletivo. A linguagem é o caminho para que o processo de interação ocorra. A linguagem realiza uma espécie de mediação do indivíduo com a cultura.
     Para Vygotsky, o professor é um mediador entre a criança e o mundo. Ele ajuda o aluno na interação com os outros e consigo mesmo, com isso, a criança desenvolve seu potencial.
    Para Piaget, assim como para Vygotsky, a aquisição da linguagem é influenciada pelo ambiente em que se vive. Porém, a teoria piagetiana diz que a aquisição da linguagem depende do desenvolvimento da inteligência. Para ele, o cognitivo irá possibilitar o simbolismo. O simbolismo e a linguagem, nesta teoria, ocorrem juntos. A criança inicia o “faz de conta” e junto suas primeiras palavras, desta forma a representação simbólica está relacionada à linguagem.
     Para Vygotsky, a linguagem está relacionada com a cultura do meio. A interação social com parceiros é mediada através da linguagem.  A mediação ocorre quando a criança compreende a linguagem com o simbolismo, passa então a nomear objetos e a relacioná-los.  A internalização é quando o aprendizado se completa e zona de desenvolvimento proximal se dá quando o indivíduo consegue interagir com o mundo e consigo mesmo. O professor, para Vygotsky, possui o papel de mediador. Deve auxiliar a criança em explorar todo seu potencial.
   
     Para exemplificar e aprofundar com mais clareza a ZPD, conceito fundamental da teoria e obra de Vygotsky, entre as zonas de mediação de aprendizagens, conhecimento real e o potencial, podemos afirmar que o conhecimento real é aquele que já foi consolidado pelo indivíduo, que o torna capaz de resolver situações utilizando seu conhecimento de forma autônoma. O nível de desenvolvimento real é dinâmico e aumenta a partir do diálogo e interação que envolvem o processo da aprendizagem, ou seja, se determina através da solução independente de problemas pela criança.
     Para com o conhecimento potencial este é determinado pela solução de problemas sob a orientação de um adulto, ou em colaboração com companheiros e, será determinado pelas habilidades que o indivíduo já construiu, porém encontram-se em processo. Isto significa que o processo de desenvolvimento da aprendizagem gerou desenvolvimento real, gerou também habilidades que se encontram em um nível menos elaborado que o já consolidado. Dessa forma, o desenvolvimento potencial é aquele que o sujeito poderá construir.
Para Piaget, acriança se apodera de um conhecimento se agir sobre ele, pois aprender é modificar, descobrir, inventar.
Para Vygotsky, a aprendizagem sempre inclui relações entre pessoas. A relação do indivíduo com o mundo está sempre mediado pelo outro. Este processo de mediação, ou, os mediadores sempre vão estar entre os homens e o mundo real, estes mediadores são: Instrumentos e Signos.
Para Piaget o desenvolvimento cognitivo acontece a partir do momento de maturação, acredita que está predeterminado e, irá aflorar com o tempo, acredita na aprendizagem de dentro para fora, onde a transição entre os estados mentais individuais não verbais, de um lado, e o discurso socializado e o pensamento lógico do outro.
Para Vygotsky, o desenvolvimento tem origens nas capacidades humanas, o indivíduo aprende de fora para dentro, ou seja, seria o desenvolvimento associado ao pensamento, indicando a trajetória da criança, que vai dos processos socializados para os internos.

 Referências:
 Dongo, Montoya, A. O. Pensamento e Linguagem: Percurso Piagetiano de Investigação. Psicologia em Estudo, Maringá, v. 11, n. 1, p. 119-127, jan./abr. 2006
Linguagem e Educação https://www.youtube.com/watch?v=_BZtQf5NcvE. Acesso: 22 de abril de 2018.
Meiato, Sonia A. O desenvolvimento da linguagem segundo Piaget: fase inicial do processo de ensino e aprendizagem. Disponível em: https://www.webartigos.com/artigos/o-desenvolvimento-da-linguagem-segundo-piaget-fase-inicial-do-processo-de-enino-e-aprendizagem/149499#ixzz5DSdHehHR – Acesso: 22 de abril de 2018.