Aquisição da Linguagem
Síntese em grupo
Alunas: Anna Gomes, Luciane Lopa e Veridiana Biscarra
Concepção teórica com base em estudos de Jean Piaget e Lev Vigotsky.
Relações e
diferenças entre as duas teorias quanto ao processo de construção de
conhecimento e aquisição da linguagem.
De
início, podemos dizer que Piaget revolucionou o estudo da linguagem e do
pensamento infantil quando desenvolveu o método clínico de investigação a
partir das ideias das crianças, sendo o primeiro a estudar percepção e lógica,
centrando sua atenção no pensamento e não nas deficiências, dando ênfase ao que
elas têm, e não o que lhes falta, bem como mostrar
o percurso da investigação de Piaget sobre as origens e as relações existentes
entre a linguagem e o pensamento, em outras palavras, a aquisição da linguagem
e a interação social (troca e cooperação entre indivíduos) estariam explicando,
nessa época, a evolução do pensamento e da linguagem. Nesse ponto, Vygotsky
destaca a coincidência de sua hipótese com a hipótese explicativa de Piaget
daquela época, pois para ele o desenvolvimento da lógica na criança é uma
função direta de sua fala socializada. Basicamente, o desenvolvimento da fala
interior depende de fatores externos: o desenvolvimento da lógica na criança,
como os estudos de Piaget demonstram, é uma função direta de sua fala
socializada. O crescimento intelectual da criança depende de seu domínio dos
meios sociais do pensamento, isto é, da linguagem (Vygotsky, 1991 p.44).
A partir da pesquisa, percebeu que a
diferença entre o pensamento das crianças e dos adultos se dá a partir da
qualidade e não da quantidade. Seu método, para nós, educadores, é visto como
ferramenta importantíssima para o estudo do pensamento infantil, pois a partir
de investigações, é possível entender o pensamento das crianças.
Para Piaget, a
criança não é um adulto em miniatura, assim como seu cérebro não é um cérebro
de um adulto em ponto reduzido. Piaget, através de suas experimentações, nos
traz, a partir daí, a ideia de evolução.
O objetivo principal era resolver
problemas epistemológicos, explicando como o sujeito conhece e fornece
explicações cada vez mais objetivas e mais abrangentes sobre o mundo. A
passagem do egocentrismo infantil para a objetividade e para o pensamento
lógico (estes encontram-se relacionados à linguagem socializada, linguagem
cujos termos e conceitos são compartilhados por todos os membros do grupo,
possuindo estrutura lógica).
Piaget
descreve o egocentrismo como posição intermediária, genética, estrutural e
funcional entre o pensamento orientado e o pensamento das crianças com autismo,
reportando outras características, como: realismo intelectual, sincretismo e
até mesmo a dificuldade de compreender as relações. A esta ideia principal, nos
diz que o pensamento orientado é social à medida que se desenvolve vai sendo
progressivamente influenciado pelas leis da experiência e da lógica, já o
pensamento autístico, ao contrário, é individualista e obedece a um conjunto de
leis especiais que lhe são próprias.
Ao investigar,
submetendo experiências a partir da análise do uso que as crianças dão à
linguagem e, suas observações, Piaget conclui que todas as conversações das
crianças podem se classificar em um de dois grupos: o egocêntrico e a
socialização. A diferença se dará nas suas funções. No discurso egocêntrico a
criança fala apenas dela própria, não tenta se comunicar, não espera resposta e
na maioria das vezes não se preocupa se alguém a escuta. Com o discurso
egocêntrico a criança age como quem pensa em voz alta, realiza ou produz
comentários simultâneos com aquilo que está fazendo. Para com o discurso
socializado, não procura estabelecer um diálogo com os outros: manda, ameaça,
transmite as informações, faz perguntas.
Para Piaget, o
desenvolvimento do pensamento se dá gradualmente, através da socialização dos
estados mentais, pessoais, autísticos. Para com o discurso social, este é
apresentado como um discurso que sucede e não que precede o egocêntrico, assim,
o egocentrismo ou o socialismo na fala das crianças não depende apenas de sua
idade, mas também do ambiente, em termos de condições. Piaget, ao analisar a
brincadeira de crianças em uma turma de jardim, nos diz que: enquanto as
atividades forem desenvolvidas em grupos maiores, menores serão as práticas do
egocentrismo, já em casa, por exemplo, o discurso e suas interações, desde
muito cedo serão, predominantemente sociais. Porém, o estudioso nos diz que,
para que se estabeleça diferença entre social e individual, no pensamento, se
faz necessário à comparação de comportamento das crianças com o ambiente,
crianças oriundas de ambientes sociais diferentes, as que trabalham, por
exemplo, nos remeterá a resultados que nos permitirão formular leis com esferas
de aplicação muito mais amplas.
Segundo Vygotsky,
a linguagem é uma ferramenta de contato. Possibilita a troca de ideias com as
outras pessoas. Ele descobriu que para melhorar o nível da aprendizagem, mais
do que agir sobre o meio, o indivíduo precisa interagir. Para ele, todo o
sujeito adquire seus conhecimentos a partir de relações interpessoais, de troca
com o meio. Vygotsky afirma que aquilo que parece individual na pessoa é na
verdade resultado da construção da sua relação com o outro.
As
características e atitudes individuais são compostas das trocas com o coletivo.
A linguagem é o caminho para que o processo de interação ocorra. A linguagem realiza uma espécie de mediação do indivíduo
com a cultura.
Para Vygotsky,
o professor é um mediador entre a criança e o mundo. Ele ajuda o aluno na
interação com os outros e consigo mesmo, com isso, a criança desenvolve seu
potencial.
Para Piaget,
assim como para Vygotsky, a aquisição da linguagem é influenciada pelo ambiente
em que se vive. Porém, a teoria piagetiana diz que a aquisição da linguagem
depende do desenvolvimento da inteligência. Para ele, o cognitivo irá
possibilitar o simbolismo. O simbolismo e a linguagem, nesta teoria, ocorrem
juntos. A criança inicia o “faz de conta” e junto suas primeiras palavras,
desta forma a representação simbólica está relacionada à linguagem.
Para Vygotsky,
a linguagem está relacionada com a cultura do meio. A interação social com
parceiros é mediada através da linguagem.
A mediação ocorre quando a criança compreende a linguagem com o
simbolismo, passa então a nomear objetos e a relacioná-los. A internalização é quando o aprendizado se
completa e zona de desenvolvimento proximal se dá quando o indivíduo consegue
interagir com o mundo e consigo mesmo. O professor, para Vygotsky, possui o
papel de mediador. Deve auxiliar a criança em explorar todo seu potencial.
Para exemplificar e aprofundar com mais clareza a ZPD, conceito fundamental da teoria e obra de Vygotsky, entre as zonas de mediação de aprendizagens, conhecimento real e o potencial, podemos afirmar que o conhecimento real é aquele que já foi consolidado pelo indivíduo, que o torna capaz de resolver situações utilizando seu conhecimento de forma autônoma. O nível de desenvolvimento real é dinâmico e aumenta a partir do diálogo e interação que envolvem o processo da aprendizagem, ou seja, se determina através da solução independente de problemas pela criança.
Para com o conhecimento potencial este é determinado pela solução de problemas sob a orientação de um adulto, ou em colaboração com companheiros e, será determinado pelas habilidades que o indivíduo já construiu, porém encontram-se em processo. Isto significa que o processo de desenvolvimento da aprendizagem gerou desenvolvimento real, gerou também habilidades que se encontram em um nível menos elaborado que o já consolidado. Dessa forma, o desenvolvimento potencial é aquele que o sujeito poderá construir.
Para Piaget, acriança se apodera de um
conhecimento se agir sobre ele, pois aprender é modificar, descobrir, inventar.
Para Vygotsky, a aprendizagem sempre
inclui relações entre pessoas. A relação do indivíduo com o mundo está sempre
mediado pelo outro. Este processo de mediação, ou, os mediadores sempre vão
estar entre os homens e o mundo real, estes mediadores são: Instrumentos e
Signos.
Para Piaget o desenvolvimento cognitivo
acontece a partir do momento de maturação, acredita que está predeterminado e,
irá aflorar com o tempo, acredita na aprendizagem de dentro para fora, onde a
transição entre os estados mentais individuais não verbais, de um lado, e o
discurso socializado e o pensamento lógico do outro.
Para Vygotsky, o desenvolvimento tem
origens nas capacidades humanas, o indivíduo aprende de fora para dentro, ou
seja, seria o desenvolvimento associado ao pensamento, indicando a trajetória
da criança, que vai dos processos socializados para os internos.
Referências:
Dongo, Montoya, A.
O. Pensamento e Linguagem: Percurso Piagetiano de Investigação. Psicologia em
Estudo, Maringá, v. 11, n. 1, p. 119-127, jan./abr. 2006
Meiato, Sonia A. O desenvolvimento da linguagem segundo Piaget:
fase inicial do processo de ensino e aprendizagem. Disponível em: https://www.webartigos.com/artigos/o-desenvolvimento-da-linguagem-segundo-piaget-fase-inicial-do-processo-de-enino-e-aprendizagem/149499#ixzz5DSdHehHR – Acesso: 22 de abril de
2018.
https://www.marxists.org/portugues/vygotsky/ano/pensamento/cap02.htm - Acesso em 22 de abril de 2018.