terça-feira, 28 de novembro de 2017

       Compartilho a atividade que realizei na interdisciplina de Filosofia da Educação. Importante contribuição para nós, professores, a partir da leitura e síntese da obra de Paulo Freire, intitulada: À Sombra Desta Mangueira.


 A obra traz uma visão explícita do mundo, da política e valores. A importância da educação como formadora e transformadora. Inovações tecnológicas, injustiças, crise econômica, contradições políticas, a vida pessoal e os caminhos a serem percorridos também estão presentes. Freire nos traz importante reflexão sobre o capitalismo e o consumismo desenfreado que leva as pessoas a substituírem felicidades gratuitas por felicidades compradas. Sua necessidade inerente ao ser humano, a dialogicidade, que para o autor é curiosidade e inquietação, uma educação pautada e fundada no diálogo, que se dá numa relação de humildade, encontro e confiança. O autor nos diz que o sujeito que pergunta sabe a razão porque o fez.
A experiência dialógica é fundamental para a construção da curiosidade epistemológica, o autor afirma que sem ela não há comunicação, tornando-a essencial, principalmente aos professores, que fazem uso da comunicação, pois sem a curiosidade que nos torna seres em permanente disponibilidade à indagação não haveria à atividade gnosiológica (teoria geral do conhecimento), expressão concreta de nossa possibilidade de conhecer, nos diz ainda, que dialogar não é tagarelar, os alunos aprendem com a fala do professor, não “comem” simplesmente discursos. 
O autor ainda traz sua visão quanto ao reconhecimento que os indivíduos fazem do mundo, a percepção que devemos ter em relação ao que nos rodeia e podemos transformar, a partir da avaliação e da busca percebida como necessária, pois a curiosidade nos impulsiona ao conhecimento que diante do contexto pode vir a tornar-se epistemológica, sendo que o contexto apropriado para o exercício da curiosidade é o teórico.
Para com a visão do professor progressista, o autor indica que é preciso desafiar a curiosidade ingênua do educando para com ele partejar a criticidade. O educador pragmático reacionário entende que não há porque desafiar o aluno, apenas depositar conteúdos. Com a visão tecnicista o treinamento instrumental do educando considera que não há antagonismo nos interesses, é tudo “mais ou menos igual”. Na educação bancária, ignora a capacidade e a inteligência de julgar e criar dos professores, que precisam ser respeitados, pagos com decência, chamados à discussão de seus problemas e dos problemas locais, regionais e nacionais, embutidos na problemática nacional, não podendo ser diminuídos. 



Links pesquisados:

https://pt.slideshare.net/marcaocampos/freire-paulo-a-sombra-desta-mangueira
https://joserosafilho.wordpress.com/2015/07/29/a-sombra-desta-mangueira/
http://dowbor.org/1995/01/prefacio-paulo-freire-a-sombra-desta-mangueira-2.html/
https://moodle.ufrgs.br/mod/resource/view.php?id=1349771


segunda-feira, 27 de novembro de 2017



Refletindo...
Crocodilos e avestruzes

“Triste época! É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito” (Albert Einstein). A partir do pensamento de Einstein, e da leitura e vídeo indicados, fico me questionando sobre as diversas formas de discriminação e preconceito sofridos em nossa sociedade. Muitas vezes, os professores em sua condição, acabam a propagar mitos, desenvolvendo preconceitos a respeito das pessoas com deficiência ou necessidades especiais. Eu me enquadro nessa situação. Confesso que, após ter ingressado no curso de pedagogia, muitos questionamentos e reflexões a cerca do assunto me fizeram mudar de opinião, tendo um olhar diferenciado e cuidadoso sobre esse assunto tão importante.
Muitas são as dificuldades encontradas pelos deficientes, como exemplo, a Generalização indevida, em que os outros veem um cego, por exemplo, como portador de uma deficiência total. A leitura indicada traz o exemplo do escritor francês Chevigny, que ficou cego e, em um determinado encontro, perguntaram ao seu acompanhante se o seu chá deveria ser com, ou sem açúcar, relacionando o fato da cegueira à surdez.
Outro fator que nos chama a atenção é o uso frequente da “lógica” ou “correlação linear”, em que se cria a expectativa de acreditar que todos os cegos são excelentes músicos, ou ainda pelo contágio osmótico, medo (pavor) da “contaminação” pelo convívio com uma pessoa com determinada deficiência. Situações que muitas vezes acontecem dentro das escolas, onde os pais tem medo de deixar os filhos se relacionarem com colegas que “babam”, por pensarem que sua deficiência pode ser contagiosa. Essa questão pode ser entendida como características das “barreiras atitudinais”, onde o preconceito é formado anterior às nossas experiências ou conhecimentos de determinados assuntos, pois nosso universo é lotado de estereótipos, como os programas de televisão, que sobrevivem graças à exploração da questão aqui mencionada.  
Pensando em “amenizar o incômodo” que a presença das pessoas com algum tipo de deficiência nos causa, utilizamos mecanismos de defesa, conceito já inicialmente formulado por Freud, onde faz-se o uso de técnicas ou estratégias para manter o equilíbrio, eliminar fontes de insegurança, perigo ou tensão, quando por alguma razão não está sendo possível lidar com a realidade. Como avestruz, enfiamos a cabeça na areia para não ver o que não queremos ou não podemos.
Frente a uma diferença significativa do outro ou nossa rejeição a ela, tensão ou ansiedade, uma das possibilidades é o acionamento do mecanismo de defesa da negação, assim como “roupagens” específicas como a compensação, em que dizemos, por exemplo, que: É paralítico, mas tão inteligente. Pode-se também negar pela atenuação, onde mencionamos que podia ser pior: não tem uma perna, podia não ter as duas. Já com a assimilação, negamos literalmente a diferença. É cego, mas é como se não fosse, é homossexual, mas não parece.
A fim de compreender os três conceitos estudados, entendo que a Deficiência é relativa à alteração do corpo ou deficiência física, órgão ou função. A Incapacidade é a restrição de atividades em decorrência de uma deficiência, a Desvantagem está relacionada a prejuízos devido a sua deficiência ou incapacidade, a adaptação do indivíduo e a interação dele com o meio.
Para contribuir com a inclusão dessas pessoas na escola regular, penso que, devemos estudar e descobrir mais sobre o assunto. Acredito que a falta de conhecimento seja a grande causa da discriminação e do preconceito. Outro fator fundamental é enxergar as pessoas com deficiência como seres humanos, que têm direito à educação e, uma educação de qualidade. Entendo que é preciso uma reorganização do sistema, para que seja ofertada a referida educação de qualidade e igualitária. Penso, ainda, que com união, conhecimento e a quebra de muitos mitos, como exemplo “crocodilos e avestruzes”, onde para com os crocodilos podemos caracterizar como: preconceito, estereótipo e estigma. Já com a classificação avestruz, podemos dizer que: enfiamos a cabeça na areia para não ver o que não queremos ou não podemos. A partir da reflexão e mudanças efetivas desses questionamentos, é possível que esta feliz realidade esteja próxima.
  
  
















Link do vídeo.
 https://www.youtube.com/watch?v=RN7WMDSdQKI