sábado, 9 de julho de 2016



Brincar é importante? Por quê?








Acredito que, por trás de um jogo, das brincadeiras, existe muito mais. Penso que é muito mais divertido e prazeroso aprender brincando, dando lugar ao lúdico, à fantasia e a imaginação, pois, ao pensar em infância logo pensamos em brincadeiras e jogos.
Oportunizar aos alunos momentos de socialização que envolvam brincadeiras, proximidade e trocas. Sempre que a oportunidade de brincar, jogar e socializar surge em meio ao meu planejamento, não deixo essa oportunidade passar. Dou lugar e espaço para a aprendizagem acontecer com diversão, pensando também na importância do desenvolvimento cognitivo e motor. Através do autoconhecimento corporal a criança aprende a se relacionar, aceitar diferenças, respeitar o outro, bem como desenvolver as relações interpessoais.
Brincar incentiva o trabalho em equipe, estabelecendo regras e limites. Sem falar que as brincadeiras acabam com a tristeza, pois brincar dá prazer. Quantas vezes, nós, adultos nos deixamos levar pela brincadeira, pela emoção de nos sentirmos criança, sem medo de ser feliz ao brincar. Nesse momento nos esquecemos dos problemas e compromissos que o mundo dos adultos nos exige. No momento do brincar, crianças e adultos se fortalecem, cuidando da saúde emocional, nos momentos de brincadeiras e descontração.
Na maioria das vezes e, a maioria dos pais, ainda pensa que brincar é perda de tempo. Com isso, cabe a nós professores entrarmos em ação, como mediadores, responsáveis em proporcionar e ampliar esses momentos com as crianças, pois, para elas, brincar é coisa séria. Temos a tarefa de, defender as brincadeiras e o lúdico em nossa sala de aula. É importante, que os pais entendam que através das brincadeiras, as crianças se comunicam com o ambiente, assim como se expressam culturalmente. Com as brincadeiras as crianças demonstram seus interesses, fazem descobertas e despertam suas capacidades. “Acredito que a produção de cultura dependa de processos interpessoais. Não cabendo apenas ao desenvolvimento de um indivíduo, mas as relações dentro de um grupo” (VYGOTSKY).
Após a leitura e reflexão do texto de Anita Wadley, Apenas Brincando, pude perceber e constatar a importância de não tratarmos como simples brincadeiras os momentos em que as crianças estão construindo com blocos ou cuidando e conversando com suas bonecas, pintando-se até os cotovelos, concentrados montando quebra-cabeça, muitas vezes subindo e saltando do sofá, “quebrando a cabeça”, porém, isso tudo faz parte do aprendizado e conhecimento do próprio corpo. Acredito que nesses momentos as crianças externam suas vocações e aptidões.
Um dia, passeando pela praça de alimentação de um shopping, acompanhada de minha filha, na época com 4 anos de idade, ela encontra no chão uma espécie de casca, semente. Ela me pergunta se pode ficar com a casca. Olhando em volta, vi que aquela “casca” fazia parte da decoração dos vasos de plantas que ornamentavam o ambiente, expliquei, que o achado  deveria ficar ali... porém, ela insistiu muito em levar, me dizendo  que aquele era um presente maravilhoso para o papai, que ele iria adorar, pois toda a vez que ele olhasse para o presente se lembraria dela. Na hora fiquei pensando que aquela casca era muito simples para ser um presente. A convidei para comprarmos um “presente de verdade”, já que ela queria dar ao pai algo que lembrasse os dois. Que bobagem que eu fiz! Lógico que ela se recusou, aquele era o presente mais interessante e legal que ela poderia dar ao pai. Ao chegar em casa, correu ao encontro do pai e entregou com todo o amor o presente que tratou de cuidar para não perder durante o passeio. Com esse exemplo simples, comecei a perceber e valorizar pequenas atitudes das crianças em diversas situações. O que muitas vezes, para nós adultos é algo simples e sem importância, até mesmo sem graça, para as crianças tem um significado muito maior. As crianças conseguem expressar em pequenos gestos, pequenos detalhes, sentimentos grandiosos.
No texto de Ana Ferraris, Agitação que faz bem, refleti sobre diversas atitudes, muito características das crianças quando se refere ao lúdico, as brincadeiras.
A cada leitura e reflexão, me convenço e defendo que as atividades que envolvam jogos e brincadeiras cativam, fazendo com que a aprendizagem aconteça de forma agradável, prazerosa. Se não fosse verdade, o recreio não seria o momento mais esperado pelos alunos. Este precioso momento tão aguardado, é sinônimo de satisfação, alegria e vivacidade. Momento em que podem: correr, saltar, pular e extravasar toda a emoção. Atividades que divertem e contribuem para o desenvolvimento das crianças.
Destaco outro ponto que me chamou muito a atenção: a divisão feita pelo sociólogo Roger Caillois, onde ele separa os jogos por categorias: PAIDIA, LUDUS, AGON, ALEA, MIMICRY, ILINX.
Em PAIDIA, pode-se classificar a brincadeira como sendo as de espontaneidade. Em LUDUS, são atividades estruturadas. Em AGON, atividades de competição. Em ALEA, jogos de azar, como dados e pôquer. Em MIMICRY, se encontra a brincadeira do “fazer de conta”. Em ILINX, está o fascínio pelo lúdico. Dimensão irreal, videogames, brincadeiras que busquem a perda da estabilidade, a vertigem e até o transe.
 Reforçando a importância do brincar para crianças e adultos, destaco a leitura do texto de Melinda Wenner, Brincar é coisa séria. Após reflexão, entendo que nunca é tarde para começarmos e aumentarmos a frequência das brincadeiras em nossa rotina. Tanto crianças quanto os adultos têm necessidade de brincar. Brincar contribui para o aumento, estímulo da criatividade. Devemos nos permitir e reservar momentos em nossa agenda para o lazer, o divertimento. O estresse e a correria do dia a dia fazem com que não tenhamos tempo nem para pensar e programar essas atividades. Programações que nos façam relaxar, contribuindo para nosso bem-estar físico e emocional.
Hoje em dia a maioria das pessoas se sente cansada, exausta e sem paciência, porém, a grande maioria não associa essa condição de estado à falta de lazer, aos momentos reservados a distração e ludicidade.

Referências Bibliográficas:
WADLEY, Anita. Apenas Brincando.
FERRARIS, Ana Oliveiro. Agitação que faz bem. Mente Cérebro. São Paulo: EDIOURO DUETTO EDITORIAL Ltda. Ano XVIII nº 216 jan/ 2011 (pp:36-41)
COLLARES, Darli. Epistemologia genética e pesquisa docente: estudo das ações no contexto escolar. Lisboa: Instituto Piaget, 2003.
http://www.ebc.com.br/infantil/para-pais/2015/03/por-que-brincar-e-tao-importante

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