Brincar é importante? Por quê?
Acredito que, por trás de um jogo, das brincadeiras,
existe muito mais. Penso que é muito mais divertido e prazeroso aprender
brincando, dando lugar ao lúdico, à fantasia e a imaginação, pois, ao pensar em
infância logo pensamos em brincadeiras e jogos.
Oportunizar aos alunos momentos de socialização que
envolvam brincadeiras, proximidade e trocas. Sempre que a oportunidade de
brincar, jogar e socializar surge em meio ao meu planejamento, não deixo essa
oportunidade passar. Dou lugar e espaço para a aprendizagem acontecer com
diversão, pensando também na importância do desenvolvimento cognitivo e motor.
Através do autoconhecimento corporal a criança aprende a se relacionar, aceitar
diferenças, respeitar o outro, bem como desenvolver as relações interpessoais.
Brincar incentiva o trabalho em equipe, estabelecendo
regras e limites. Sem falar que as brincadeiras acabam com a tristeza, pois
brincar dá prazer. Quantas vezes, nós, adultos nos deixamos levar pela
brincadeira, pela emoção de nos sentirmos criança, sem medo de ser feliz ao
brincar. Nesse momento nos esquecemos dos problemas e compromissos que o mundo
dos adultos nos exige. No momento do brincar, crianças e adultos se fortalecem,
cuidando da saúde emocional, nos momentos de brincadeiras e descontração.
Na maioria das vezes e, a maioria dos pais, ainda pensa
que brincar é perda de tempo. Com isso, cabe a nós professores entrarmos em
ação, como mediadores, responsáveis em proporcionar e ampliar esses momentos
com as crianças, pois, para elas, brincar é coisa séria. Temos a tarefa de,
defender as brincadeiras e o lúdico em nossa sala de aula. É importante, que os
pais entendam que através das brincadeiras, as crianças se comunicam com o
ambiente, assim como se expressam culturalmente. Com as brincadeiras as
crianças demonstram seus interesses, fazem descobertas e despertam suas
capacidades. “Acredito que a produção de cultura dependa de processos
interpessoais. Não cabendo apenas ao desenvolvimento de um indivíduo, mas as
relações dentro de um grupo” (VYGOTSKY).
Após a leitura e reflexão do texto de Anita Wadley,
Apenas Brincando, pude perceber e constatar a importância de não tratarmos como
simples brincadeiras os momentos em que as crianças estão construindo com
blocos ou cuidando e conversando com suas bonecas, pintando-se até os cotovelos,
concentrados montando quebra-cabeça, muitas vezes subindo e saltando do sofá,
“quebrando a cabeça”, porém, isso tudo faz parte do aprendizado e conhecimento
do próprio corpo. Acredito que nesses momentos as crianças externam suas
vocações e aptidões.
Um dia, passeando pela praça de alimentação de um
shopping, acompanhada de minha filha, na época com 4 anos de idade, ela
encontra no chão uma espécie de casca, semente. Ela me pergunta se pode ficar
com a casca. Olhando em volta, vi que aquela “casca” fazia parte da decoração
dos vasos de plantas que ornamentavam o ambiente, expliquei, que o achado deveria ficar ali... porém, ela insistiu
muito em levar, me dizendo que aquele
era um presente maravilhoso para o papai, que ele iria adorar, pois toda a vez
que ele olhasse para o presente se lembraria dela. Na hora fiquei pensando que
aquela casca era muito simples para ser um presente. A convidei para comprarmos
um “presente de verdade”, já que ela queria dar ao pai algo que lembrasse os
dois. Que bobagem que eu fiz! Lógico que ela se recusou, aquele era o presente
mais interessante e legal que ela poderia dar ao pai. Ao chegar em casa, correu
ao encontro do pai e entregou com todo o amor o presente que tratou de cuidar
para não perder durante o passeio. Com esse exemplo simples, comecei a perceber
e valorizar pequenas atitudes das crianças em diversas situações. O que muitas
vezes, para nós adultos é algo simples e sem importância, até mesmo sem graça,
para as crianças tem um significado muito maior. As crianças conseguem
expressar em pequenos gestos, pequenos detalhes, sentimentos grandiosos.
No texto de Ana Ferraris, Agitação que faz bem, refleti
sobre diversas atitudes, muito características das crianças quando se refere ao
lúdico, as brincadeiras.
A cada leitura e reflexão, me convenço e defendo que as
atividades que envolvam jogos e brincadeiras cativam, fazendo com que a
aprendizagem aconteça de forma agradável, prazerosa. Se não fosse verdade, o
recreio não seria o momento mais esperado pelos alunos. Este precioso momento
tão aguardado, é sinônimo de satisfação, alegria e vivacidade. Momento em que
podem: correr, saltar, pular e extravasar toda a emoção. Atividades que
divertem e contribuem para o desenvolvimento das crianças.
Destaco outro ponto que me chamou muito a atenção: a divisão
feita pelo sociólogo Roger Caillois, onde ele separa os jogos por categorias:
PAIDIA, LUDUS, AGON, ALEA, MIMICRY, ILINX.
Em PAIDIA, pode-se classificar a brincadeira como sendo
as de espontaneidade. Em LUDUS, são atividades estruturadas. Em AGON,
atividades de competição. Em ALEA, jogos de azar, como dados e pôquer. Em
MIMICRY, se encontra a brincadeira do “fazer de conta”. Em ILINX, está o
fascínio pelo lúdico. Dimensão irreal, videogames, brincadeiras que busquem a
perda da estabilidade, a vertigem e até o transe.
Reforçando a
importância do brincar para crianças e adultos, destaco a leitura do texto de
Melinda Wenner, Brincar é coisa séria. Após reflexão, entendo que nunca é tarde
para começarmos e aumentarmos a frequência das brincadeiras em nossa rotina.
Tanto crianças quanto os adultos têm necessidade de brincar. Brincar contribui
para o aumento, estímulo da criatividade. Devemos nos permitir e reservar
momentos em nossa agenda para o lazer, o divertimento. O estresse e a correria
do dia a dia fazem com que não tenhamos tempo nem para pensar e programar essas
atividades. Programações que nos façam relaxar, contribuindo para nosso
bem-estar físico e emocional.
Hoje em dia a maioria das pessoas se sente cansada,
exausta e sem paciência, porém, a grande maioria não associa essa condição de
estado à falta de lazer, aos momentos reservados a distração e ludicidade.
Referências
Bibliográficas:
WADLEY, Anita.
Apenas Brincando.
FERRARIS, Ana Oliveiro. Agitação que faz bem. Mente Cérebro. São Paulo: EDIOURO DUETTO EDITORIAL
Ltda. Ano XVIII nº 216 jan/ 2011 (pp:36-41)
COLLARES, Darli. Epistemologia
genética e pesquisa docente: estudo das ações no contexto escolar. Lisboa:
Instituto Piaget, 2003.
http://www.ebc.com.br/infantil/para-pais/2015/03/por-que-brincar-e-tao-importante



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