Narrativa
que evidencia meu “Pertencimento ao Espaço Escolar”.
Como
atividade da interdisciplina de: Representação do Mundo pelos Estudos Sociais, foi
solicitado que escrevêssemos sobre nosso ponto de vista referente ao
pertencimento ao espaço escolar. Acredito que pertenço ao espaço escolar no
momento em que consigo fazer a diferenciação entre o Ver e o Olhar. Nos momentos em que me sinto acolhida pelos meus colegas e alunos, nos momentos de felicidade quando um aluno entende o conteúdo e fica feliz por isso, no momento
em que me senti feliz por retornar das férias e encontrar os alunos ansiosos por um novo ano letivo, no momento em que me senti fragilizada quando lancei uma tarefa voltada a musicalidade. Relatei
para a turma que eu cantava diversas canções enquanto estava esperando a
chegada da minha bebê, a maioria se surpreendeu que eu conversava e cantava
para uma criança que ainda não havia nascido. Expliquei que é muito importante
essa ligação da mãe com o bebê, pois a criança ouve e sente tudo ao seu redor.
Senti enorme tristeza quando ouvi de um aluno o seguinte desabafo: - Minha mãe
não queria que eu nascesse! Imagina se ela ia cantar pra mim! Comecei a
trabalhar essas questões dentro de mim, ter um Olhar diferenciado, procurando
entender as angústias e dificuldades daqueles alunos que demonstram
desinteresse. Crianças tão pequenas, jovens que parecem ter perdido a esperança
na vida, os sonhos de um futuro melhor. Esses jovens são desmotivados e
apresentam baixo rendimento escolar. São crianças que estão crescendo em meio à
famílias desestruturadas, morando em lugares onde as drogas e o tráfico
imperam. Os passeios de domingo de muitos alunos é a visita aos pais no
presídio ou em casas de reabilitação...
Penso que, se a vida desses indivíduos já é tão penosa e frustrante,
cabe a nós, professores, fazer com que na escola essas crianças recebam afeto e
carinho, que percebam que alguém se importa com eles e deseja que tenham um
futuro bom, diferente do que estão acostumados a ver. Acredito que muitos
desses alunos podem ser resgatados a partir de práticas e projetos escolares.
Sei que é um caminho longo e difícil, porém, estou aqui para fazer a diferença
na vida escolar dessas crianças, ou pelo menos, tentar. Sei que cada gesto de
solidariedade e motivação em prol desses alunos, não será esquecido por eles,
nem por mim.


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